Ontem assisti ao filme “Moça com brinco de pérola”, não é nenhum lançamento, trata-se de um filme de 2003, baseado no livro de Tracy Chevalier que romantiza a inspiração para o quadro do artista Vemeer que é considerado a Monalisa holandesa. O filme é excelente, principalmente pelas interpretações precisas e fotografia impecável, mas um diálogo específico me chamou muito a atenção. Em determinado momento, a esposa do pintor vira-se para ele e diz que a criada (que posa para o quadro) nem sequer sabe ler, então pergunta por que ele a escolheu em detrimento dela no que ele responde: porque você não entende!
Esse pequeno trecho do filme nos grita a atual realidade do ensino brasileiro. Aprendemos não apenas a ler, mas a somar, subtrair, nos ensinam a história do nosso país, até do mundo, nos falam sobre os cromossomos e ossos do corpo humano, nos bombardeiam de informações sobre tudo, mas nós não entendemos! E penso que a principal razão disso seja porque as escolas nos medem não pela nossa capacidade de pensar, mas principalmente pela nossa capacidade de copiar. As escolas punem os alunos que colam na hora da prova, mas não se importam se esses mesmos alunos decoram algumas palavras e as vomitam no papel, sem sequer perceberem o que significa cada uma delas e colocando todas no campo do esquecimento ao sair da sala de aula.
Há também o outro lado, existem aqueles que entendem, mas que são orientados a desentender pelo atual sistema de ensino, alunos que possuem uma forma peculiar de aprendizado, mas que difere da forma de ensino desse ou daquele professor, que não consegue enxergar o talento por uma perspectiva diferente de saber.
Não acredito que talento se ensine nas escolas (e universidades), na verdade vejo esses locais como pontos de troca, pessoas interagindo com pessoas para analisar o que quer que seja sob diferentes pontos de vista. Há que se valorizar o entendimento, do contrário teremos uma proliferação de diplomas, mas muito pouco conhecimento.